A Polêmica Castração Pediátrica em Cães e Gatos

O momento mais recomendado para a castração de gatos e cachorros já foi alterado algumas vezes no decorrer dos últimos 30 anos. Há algum tempo achava-se que a fêmea deveria ser castrada apenas após ter uma primeira cria, o que fazia com o que seu organismo amadurecesse. Já o macho deveria ser castrado depois de amadurecer sexualmente, o que se dá em torno de 4 meses para gatos e 6 meses para cães.

Estudos mostraram que a castração em fêmeas realizada antes do primeiro cio reduziu a índices de 0 a 5% a incidência de tumores nas mamas ao atingir a idade adulta. Assim, caiu o mito da primeira cria, embora muitas pessoas ainda acreditem que isso seja necessário.

Desde os anos 1970, com a evolução das técnicas de anestesia e da medicina em geral, inclusive da Veterinária, universidades e centros de pesquisa em países desenvolvidos têm defendido e divulgado os diversos benefícios da castração pediátrica, também conhecida como castração precoce ou pré-pubescente.

A Importância da Esterilização de Cães e Gatos tem sido muito discutida como única forma eficaz no combate ao crescimento populacional descontrolado destas espécies.

Entretanto, a castração pediátrica ainda é um tabu e não é aceita nem realizada por diversos veterinários e instituições, bem como não procurada por protetores que resgatam fêmeas prenhes das ruas.

O que é a Castração Pediátrica

A castração pediátrica é a cirurgia de esterilização em machos e fêmeas (de qualquer espécie de mamífero) realizada antes que o animal atinja a sua maturidade sexual. Ou seja, já a partir do 40º dia de vida e anterior aos 4 meses de idade em gatos e 6 meses em cães.

A cirurgia consiste na retirada do útero, ovários e trompas das fêmeas, impedindo que entrem no cio e que procriem e dos testículos dos machos, tornando-os inférteis.

Porque surgiu essa necessidade

Com o enorme crescimento da população de cães e gatos abandonados nas ruas, notou-se que apenas o procedimento de castração não tem sido suficiente como forma de reduzir a quantidade destes animais.

Instituições de proteção animal, abrigos, protetores independentes e mesmo famílias de tutores, na maioria das vezes, não possuem recursos nem estrutura para abrigar as ninhadas de recém-nascidos. Seria necessário aguardar até que atingissem a idade recomendada para a castração e assim fossem doados já castrados.

Um boa parte dos adotantes, segundo pesquisas, em torno de 60% a 80%, não cumpre a promessa de castrar o animal adotado. Desta forma perpetuam o abandono e o crescimento desta população. Muitas vezes até anulam os benefícios do trabalho de resgate dos animais de rua.

Para se ter uma ideia, em apenas 6 anos, uma fêmea de gato ou cachorro e seus descendentes podem gerar em torno de 64 animais se não tomadas as precauções quanto à esterilização.

Apoio à Castração Pediátrica

Nos Estados Unidos a prática da esterilização precoce é apoiada por diversas instituições.

American Humane Association (Associação Humanitária Americana)

American Veterinary Medical Association (Associação Veterinária Americana)

American Animal Hospital Association (Associação de Clínicas Veterinárias Americana)

California Veterinary Medical Association (Associação Veterinária da Califórnia)

No Brasil, algumas instituições também apoiam. Algumas universidades já ministram cursos de castração pediátrica em cães e gatos para veterinários.

Vantagens da Castração Pediátrica

Várias pesquisas americanas indicam que não há resultados negativos nem físicos nem comportamentais para animais castrados precocemente. Ao contrário, dizem que eles se recuperam mais rápido e têm menor incidência de complicações cirúrgicas. A duração da cirurgia é menor e o custo de materiais aplicados também.

Algumas pesquisas também apontam para uma redução ainda mais significativa para a incidência de tumores mamários em fêmeas castradas precocemente.

A principal vantagem seria a maior efetividade na redução do crescimento da população de animais abandonados.

Porque o tema ainda gera tanta resistência e polêmica 

Várias pesquisas apontam somente para resultados positivos quanto a este tipo de procedimento. Outras indicam o aumento das chances de se adquirir algumas doenças quando interrompida a produção dos hormônios testosterona e progesterona. Isto principalmente antes do completo desenvolvimento hormonal.

Obesidade, diabetes, incontinência urinária, displasia de quadril e anormalidades ortopédicas são algumas doenças frequentemente relacionadas à interrupção da produção destes hormônios provocadas pela castração. Entretanto os fatores de risco dependem também da espécie, raça, porte, alimentação, atividades físicas, entre outros. Tudo isso torna muito difícil a associação direta da doença com a castração, sobretudo quando realizada precocemente.

Ou seja, pesquisas podem apresentar diferentes resultados, positivos ou negativos, dependendo dos parâmetros considerados, muito diversificados neste caso.

Por isso, não há um consenso mundial quanto aos benefícios da castração pediátrica serem superiores aos riscos envolvidos.

 

Fontes:

petmd

dogsnaturallymagazine

Gato Verde

Esquadrão Pet

 

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  • Jacqueline Cohen adora animais, ler, pesquisar e escrever, assim como ajudar de alguma forma os animais carentes, que precisam de socorro e resgate.

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